NOTA DE IMPRENSA
Dep. José RIBEIRO E CASTRO
Delegação do CDS/Partido Popular no
Parlamento Europeu
Em debate no Parlamento Europeu
A Europa apoia a liberdade e a transição para a democracia em
Cuba?
José Ribeiro e Castro é patrocinador de uma audição/debate sobre
“A posição da União Europeia perante Cuba: efectiva ou não?”,
que terá lugar, depois de amanhã, 7 de Junho, no Parlamento
Europeu, em Bruxelas.
Esta audição/debate destina-se a avaliar o desenvolvimento da
Posição Comum europeia tomada em 1996, bem como as consequências
de o Conselho, sob pressão de Zapatero e do Governo socialista
espanhol, ter adoptado em Janeiro de 2005 uma suspensão das
sanções que havia decidido relativamente a Cuba em Junho de
2003, em consequência da vaga de prisões ocorrida em Março desse
ano.
O Conselho deverá rever durante o corrente mês de Junho estas
medidas e, segundo Ribeiro e Castro, “era importante que o
Conselho ouvisse finalmente a voz do Parlamento Europeu e
pusesse termo à lamentável tibieza soprada por Zapatero e pela
cínica ‘diplomacia dos interesses’, que em tudo se assemelha a
uma autêntica cumplicidade com a ditadura cubana e sua
brutalidade.”
Para Ribeiro e Castro, “é fundamental que o Conselho reafirme a
Posição Comum e os seus objectivos e que passe a ser
efectivamente mais coerente e consequente”.
A Posição Comum da UE, adoptada em 1996, declara, quanto a Cuba
e ao seu regime, que “a UE tem por objectivo incentivar o
processo de transição para uma democracia pluralista e o
respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais,
bem como uma recuperação sustentável e a melhoria das condições
de vida do povo cubano.”
Recorde-se que, invertendo um aparente caminho de abertura,
diálogo e moderação, o regime de Fidel Castro, em meados de
Março de 2003, lançou uma brutal vaga repressiva sobre
intelectuais, jornalistas independentes e círculos da oposição
democrática. Em apenas três dias deteve 75 pessoas, que seriam
objecto de condenações arbitrárias de largos anos de prisão (entre
14 a 27 anos para cada um), no que ficou conhecido como a
“Primavera Negra” de Havana.
Em resposta, o Conselho da União Europeia decidiu por
unanimidade, em Junho de 2003, “restringir as visitas
governamentais de alto nível efectuadas no âmbito bilateral;
reduzir a importância da participação dos Estados-Membros nas
manifestações culturais; convidar dissidentes cubanos para as
cerimónias organizadas por ocasião das celebrações dos dias
nacionais; proceder à reavaliação da posição comum da UE” sobre
Cuba.
Porém, após as eleições espanholas de 2004 e por pressão do
Governo Zapatero, o Conselho viria a recuar. E, em 31 Janeiro de
2005, suspendeu “temporariamente” as restrições que havia
imposto a Cuba, tendo-se comprometido a “intensificar as suas
relações com a oposição política pacífica e com sectores mais
vastos da sociedade civil cubana, através de um diálogo mais
intenso e mais regular.”
Em Junho e Novembro de 2004, em boa parte devido às medidas
tomadas em 2003, as autoridades cubanas tinham procedido à
libertação de alguns presos políticos detidos durante a
“Primavera Negra”. Mas, após a mudança de política europeia,
seguiram-se novas vagas repressivas e a generalização de “actos
de repúdio”, momentos de humilhação pública dos opositores,
tendo vários sido agredidos fisicamente e devassadas as suas
residências.
Desde Janeiro de 2005, a dureza do regime cubano tem-se mantido
e, nalguns aspectos, agravado, apesar de algumas libertações
pontuais de presos políticos, sob pressão internacional.
As críticas contínuas de Ribeiro e Castro, que tem liderado a
contestação dos deputados do grupo PPE/DE à “incompreensível
moderação” da posição política do Conselho e da Comissão
Europeia face ao regime cubano, têm posto em evidência o
“paradoxo” de o próprio Conselho ter constatado, em 13 Junho de
2005, que “não houve progressos satisfatórios no tocante ao
respeito pelos direitos humanos em Cuba”, mas manter a suspensão
de sanções. “Paradoxo” em que o Conselho viria de novo a
reincidir um ano depois, em Junho de 2006: por um lado,
reconheceu uma vez mais que a situação dos direitos humanos em
Cuba tinha “continuado a deteriorar-se desde a última avaliação,
em Junho de 2005”; por outro lado, manteve inalterada a
suspensão de sanções até nova avaliação em Junho de 2007.
“Este paradoxo entre reconhecimento expresso da deterioração das
liberdades e garantias dos cubanos e complacência europeia – diz
Ribeiro e Castro – será mais do que um simples paradoxo, se tudo
se mantiver na mesma. Será pura hipocrisia, política e
diplomática.”
O caso “é tanto mais gritante para as instituições europeias –
sublinha Ribeiro e Castro – quanto o regime cubano persiste em
impedir a vinda à Europa do Prémio Sakharov 2002, Oswaldo Payá,
para debater connosco a situação no seu país. E as ‘Damas de
Blanco’ – acrescenta – ainda não puderam sequer receber este
alto galardão atribuído anualmente pelo Parlamento Europeu.”
Para além de Ribeiro e Castro e outros eurodeputados, serão
oradores nesta audição/debate, na próxima quinta-feira, 7 de
Junho, Blanca Reyes, representante das “Damas de Blanco”,
Osvaldo Alfonso Valdés, antigo preso político, e María Luisa
Bascur, representante da International Helsinki Federation.
Ribeiro e Castro, que é o porta-voz do Grupo PPE/DE para a
Democracia em Cuba, destacou-se há um ano ao apresentar as
conclusões da Conferência do Comité Internacional para a
Democracia em Cuba realizada em Bruxelas, e que contou, então,
com a presença do antigo Presidente checo, Vaclav Havel. Essas
conclusões deverão ser agora reafirmadas.